O governo dos Estados Unidos realizou nessa terça-feira (14) a primeira execução federal em quase duas décadas, matando um homem condenado por assassinar uma família do Arkansas nos anos 90, em uma conspiração para construir uma nação só de brancos no país. A execução veio sob a objeção da família das vítimas.

Daniel Lewis Lee, 47 anos, de Yukon, Oklahoma, morreu por injeção letal na prisão federal em Terre Haute, Indiana. “Eu não fiz isso”, disse Lee antes de ser executado. “Cometi muitos erros na minha vida, mas não sou um assassino. Você está matando um homem inocente”, afirmou.

A decisão de avançar com a execução – a primeira do Departamento de Prisões desde 2003 – atraiu escrutínio de grupos de direitos civis e parentes das vítimas de Lee, que haviam processado para tentar detê-la, alegando preocupações com a pandemia de coronavírus. Os críticos argumentaram que o governo estava criando uma urgência desnecessária e fabricada para obter ganhos políticos.

A execução de Lee ocorreu após uma batalha judicial, que terminou quando a Suprema Corte entrou nessa terça-feira com uma decisão de 5-4 e permitiu que ela seguisse adiante. O procurador-geral William Barr disse que o Departamento de Justiça tem o dever de cumprir as sentenças impostas pelos tribunais, incluindo a pena de morte, e de trazer uma sensação de fechamento às vítimas e às comunidades nas quais os assassinatos ocorreram.

Mas parentes dos mortos por Lee em 1996 se opuseram fortemente a essa ideia e argumentaram há muito tempo que Lee merecia uma sentença de prisão perpétua. Eles queriam estar presentes para combater qualquer alegação de que a execução estava sendo feita em seu nome. O mentor do crime, Chevie Kehoe, recebeu uma sentença de prisão perpétua.

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O crime

Kehoe, de Colville, Washington, recrutou Lee em 1995 para se juntar à sua organização neonazista, conhecida como República Popular Ariana. Dois anos depois, eles foram presos pelos assassinatos do traficante de armas William Mueller, sua esposa, Nancy, e sua filha de oito anos, Sarah Powell, em Tilly, Arkansas, a cerca de 120 quilômetros a noroeste de Little Rock.

No julgamento de 1999, os promotores disseram que Kehoe e Lee roubaram armas e US$ 50 mil em dinheiro dos Muellers como parte de seu plano de estabelecer uma nação exclusivamente para brancos.

Os promotores disseram que Lee e Kehoe incapacitaram os Muellers e questionaram Sarah sobre onde eles poderiam encontrar dinheiro e munição. Então, eles usaram armas de choque nas vítimas, selaram sacos de lixo com fita adesiva na cabeça para sufocá-las, prenderam pedras nos corpos e as jogaram em um riacho próximo.

(Com informações de Associated Press)

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