As equipes de resgate retiraram mais corpos dos escombros do porto de Beirute nesta sexta-feira (7), três dias após uma explosão que causou uma onda de destruição na capital do Líbano, matando quase 150 pessoas e ferindo milhares. Fora da área portuária, as mulheres choravam enquanto esperavam notícias sobre parentes desaparecidos.

Entre os quatro corpos recuperados nas últimas 24 horas, estava o de Joe Akiki, 23 anos, um trabalhador portuário desaparecido desde a explosão de terça-feira (4). Seu corpo foi encontrado nos escombros perto de um silo de grãos destruído junto com outros edifícios do porto. A explosão também devastou bairros residenciais próximos, explodindo janelas e destruindo fachadas por quilômetros ao redor.

Equipes de resgate francesas e russas, com a ajuda de cães farejadores, revistavam a área portuária nesta sexta-feira, e ainda há esperança de encontrar sobreviventes. “Nossa experiência mostra que podemos encontrar pessoas vivas até 72, 75 ou 80 horas após uma explosão ou um terremoto. Por enquanto ainda estamos no tempo e nos apegamos a essa esperança”, disse o coronel Vincent Tissier, chefe da equipe francesa.

A explosão aparentemente foi causada pela ignição de 2,75 mil toneladas de nitrato de amônio, um produto químico usado para explosivos e fertilizantes, armazenadas no porto desde que foram confiscadas de um navio de carga apreendido em 2013. Uma investigação foi iniciada pelo governo, que vem sofrendo críticas crescentes depois que muitos libaneses culparam a catástrofe por negligência e corrupção.

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Vários países enviaram equipes de busca e resgate para Beirute, mas ainda há dezenas de desaparecidos. Bombeiros libaneses também estão trabalhando no porto demolido, onde máquinas retiram os escombros. Hospitais danificados, já afetados pela pandemia de coronavírus, ainda lutam para lidar com os feridos.

Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, citou a necessidade de a comunidade internacional ajudar o Líbano com uma resposta rápida e um envolvimento sustentado. Ele ressalta que o país está enfrentando a “tripla tragédia da crise socioeconômica, d coronavírus e da explosão”.

Conforme uma avaliação inicial do governo, 300 mil pessoas – mais de 12% da população de Beirute – tiveram que deixar casas danificadas ou inabitáveis depois da explosão. Muitos deles já retornaram ou estão em residências de amigos e parentes. As autoridades estimaram perdas entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões.

(Com informações de Associated Press)

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