Os protestos foram em grande parte pacíficos nessa terça-feira (2) e as ruas dos Estados Unidos ficaram mais calmas do que em dias anteriores, desde que o assassinato de George Floyd desencadeou manifestações violentas contra a brutalidade policial e a injustiça contra os afro-americanos. Até esta quarta-feira (3), as detenções já somam mais de 9 mil em todo o país desde que os distúrbios começaram em resposta à morte do homem negro durante uma abordagem policial em 25 de maio, em Minneapolis.

Houve um silêncio acentuado em comparação com a agitação das últimas noites, que incluiu incêndios e tiroteios em algumas cidades. Muitas cidades intensificaram o toque de recolher, com as autoridades de Washington também ordenando que as pessoas saíssem das ruas antes do pôr do sol.

A uma quadra da Casa Branca, milhares de manifestantes se reuniram após uma repressão no dia anterior, quando oficiais a pé e a cavalo levaram agressivamente manifestantes pacíficos para longe de Lafayette Park, abrindo caminho para o presidente Donald Trump fazer uma foto na próxima igreja de Saint John, atacada no fim de semana.

Os manifestantes dessa terça-feira enfrentaram policiais que estavam atrás de uma cerca de arame preto colocada durante a noite para bloquear o acesso ao parque. “A noite passada me levou ao limite”, disse Jessica DeMaio, que participou de um protesto pela primeira vez. “Estar aqui é melhor do que estar em casa se sentindo impotente”, resumiu a moradora de DC.

Os pastores da igreja oraram com manifestantes e distribuíram garrafas de água. A multidão permaneceu no local após o toque de recolher da cidade, desafiando os avisos de que a resposta da polícia poderia ser ainda mais forte. Mas o povo era pacífico, até educado. A certa altura, a multidão vaiou quando um manifestante subiu em um poste de luz e derrubou uma placa de rua. Um canto subiu: “Protesto pacífico!”

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Reconciliação e paz

O Papa Francisco pediu a reconciliação nacional e a paz, dizendo que ”testemunhou com grande preocupação a perturbadora agitação social” nos Estados Unidos nos últimos dias.

“Meus amigos, não podemos tolerar ou fechar os olhos ao racismo e à exclusão de qualquer forma e ainda reivindicar defender a sacralidade de toda vida humana”, declarou o pontífice durante sua audiência semanal de quarta-feira.

Enquanto isso, Trump ampliou seus telefonemas a partir de segunda-feira, quando ameaçou enviar militares para restaurar a ordem, se os governadores não o fizessem. Mais de 20 mil membros da Guarda Nacional foram convocados em 29 estados para lidar com a violência.

A terça-feira marcou a oitava noite consecutiva de protestos que começaram depois que um policial branco de Minneapolis pressionou o joelho no pescoço de Floyd enquanto o negro algemado gritava que não conseguia respirar. O policial, Derek Chauvin, foi demitido e acusado de assassinato.

(Com informações da Associated Press)

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