Histórias como essa raramente terminam bem. O parceiro ideal acaba sendo um golpista sofisticado, e alguém apaixonado é deixado não apenas com o coração partido, mas sem dinheiro. Ser enganado por um interesse romântico encontrado on-line é o tipo mais comum de fraude de consumo nos Estados Unidos, de acordo com a Federal Trade Commission (FTC).

Em 2018, quase 40 residentes de Washington, DC, relataram ter sofrido golpes de namoro on-line, com uma perda combinada de mais de US$ 92 mil. E os atos criminosos vão além das fronteiras da cidade e do estado, envolvendo redes de cúmplices no exterior.

“Essas vítimas são investidas nesse relacionamento e ficam emocionadas quando pedem dinheiro”, diz Kevin Luebke, um agente especial de supervisão do Federal Bureau of Investigation (FBI). “Geralmente, dizem a eles que algo repentino aconteceu, onde (o falsário) precisa de dinheiro urgentemente e que (a vítima) não tem tempo para argumentar ou pedir a amigos”, completa

Como muitas vítimas de golpes on-line, Ann manteve sua história privada nos últimos três anos, dominada por sentimentos de vergonha. A vibrante moradora de 72 anos de Reston já ganhou um bom dinheiro. Hoje, ela está morando temporariamente de favor com uma amiga.

O golpe

“Ninguém gosta de admitir que fez algo tão estúpido”, diz Ann sobre o esquema que lhe custou US$ 180 mil entre 2015 e 2017. Ela é identificada só pelo segundo nome porque teme sofrer represálias.

Depois de se separar do marido viciado em drogas, Ann entrou na internet e começou a namorar. Foi aí que ela conheceu Tony, um italiano de 60 e poucos anos que, como Ann, estava solteiro mais tarde na vida. Tony disse a Ann que sua esposa e filha morreram em um acidente de carro, que ele se mudou para Londres a negócios e que estava morando em um hotel. Os dois se uniram e Tony passou oito meses cortejando Ann com entregas de flores, poesia e elogios.

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Então sua sorte mudou. “Ele disse que perdeu a carteira e não tinha como pagar a conta telefônica”, lembra Ann. “Então, eu enviava US$ 1,5 mil por semana. Às vezes enviei US$ 3 mil”, relata.

Problemas financeiros adicionais surgiram aleatoriamente. E Tony continuou pedindo dinheiro, muitas vezes apelando à sua fé cristã para criar simpatia – ele até terminava conversas telefônicas dizendo que estava atrasado para as aulas de estudo da Bíblia. “Ele realmente me convenceu a vender meu apartamento. E enviei US$ 50 mil duas vezes”, afirma Ann.

Então veio a notícia de que Tony iria se mudar para os EUA para poder ficar com ela. Além do mais, ele poderia finalmente pagá-la de volta… e com juros. Tony pediu que Ann voasse para Nova York para encontrar uma mulher que lhe daria uma mala com milhões de dólares em dinheiro. Ann só precisava dar à mulher US$ 10 mil.

Ann não recebeu os US$ 11 milhões que lhe foram prometidos. Ela, no entanto, entregou os US$ 10 mil.

Tony nunca apareceu e o FBI acredita que seja alguém da Nigéria, até onde as remessas de Ann foram reastreadas. Mas ainda não foi possível determinar sua verdadeira identidade.

(Com informações de WAMU)

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