O empresário brasileiro Luiz Claudio Ferreira Sardenberg foi condenado a 23 anos e três meses de prisão pelo assassinato da ex-namorada Gabriela Regattieri Chermont. O julgamento durou três dias, e a sentença foi proferida na noite dessa quinta-feira (12). A defesa alegou que a morte de Gabriela se deu por suicídio e informou que vai recorrer.

Sardenberg foi acusado de ter jogado Gabriela Regattieri Chermont da sacada do 12º andar de um prédio na Mata da Praia, em Vitória (ES), em 21 de setembro de 1996. O julgamento, que começou na terça-feira (10) depois de ter sido adiado por nove vezes, foi concluído 24 anos após o crime.

Por volta das 21h40 dessa quinta, o juiz André Guasti Motta leu a sentença que condenou o réu a regime fechado e com o cumprimento imediato da pena. O tempo de prisão que ele deverá cumprir foi definido pelo juiz após o júri popular, formado por quatro mulheres e três homens, ter decidido por unanimidade que o réu deveria ser condenado.

“É a lei da ação e reação. Ele está tendo a reação adequada para a ação dele. A condenação chegou na hora certa. Finalmente, honrada a memória de Gabriela e que ela descanse em paz. Eu não tive dúvida da condenação, nunca tive”, disse a mãe de Gabriela, Eroteides Regattieri.

A versão da defesa do empresário de que Gabriela cometeu suicídio sempre foi confrontada pela família dela. Durante o julgamento, a acusação manteve a tese de que Luiz Claudio consumiu drogas e álcool, e depois bateu em Gabriela e a jogou do 12º andar do prédio.

“Três dias de muita luta. Conseguimos provar que, realmente, o réu é culpado. Ele matou Gabriela de forma fria, calculista, por motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Provamos que inúmeras lesões foram causadas antes da queda. Sardenberg, antes de matar Gabriela, a torturou. Motivo pelo qual o conselho de sentença reconheceu que ele bateu e, na sequência, jogou Gabriela”, disse Cristiano Medina, advogado da família de Gabriela.

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Sardenberg deixou o Fórum Criminal de Vitória, na Cidade Alta, preso. Ele foi levado em uma viatura da Polícia Militar. A defesa do empresário informou que recorrerá da decisão. “Foi um júri de alto nível. A defesa respeita a decisão do plenário, mas evidentemente vai recorrer”, disse o advogado Raphael Câmara na saída do Fórum Criminal.

O crime

De acordo com informações do processo, Gabriela e Luiz Cláudio romperam o relacionamento e ela, então, teria começado a conhecer outro homem. Ao saber disso por meio de amigos, Luiz Cláudio passou a ligar para Gabriela. Os dois combinaram um encontro na noite de 20 de setembro de 1996.

Segundo testemunhas ouvidas, os dois foram a um bar no bairro Jardim da Penha, em Vitória. Depois, seguiram para o prédio. Luiz Cláudio afirma que, naquela noite, ele e Gabriela mantiveram relações sexuais. A família e a defesa da vítima afirmam que isso não aconteceu e que ela foi agredida até ser arrastada e jogada da sacada do prédio.

Embora Luiz Cláudio diga que tenha consumido apenas cerveja, um exame toxicológico feito na época revelou que o empresário usou cocaína. Desde o crime, o empresário aguardava o julgamento em liberdade em função de um habeas corpus que conseguiu no Supremo Tribunal Federal (STF).

(Com informações do G1)

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