Enquanto a pandemia de Covid-19 continua a perturbar praticamente todos os setores da sociedade, a vida continua. Literalmente. Entre 1º de março e 29 de junho, houve 22.965 nascimentos na Virgínia. E as Nações Unidas estimam que, em todo o mundo, 116 milhões de bebês nascerão antes do fim da pandemia. A crise gerada pelo coronavírus desafiou as doulas e outras trabalhadoras do parto a inovar no apoio a mães e bebês, dentro e fora do ambiente hospitalar.

“A principal maneira pela qual minha prática mudou é que não estou mais vendo clientes pessoalmente”, conta Cheyenne Varner, doula de Richmond. “As reuniões pré-natais agora acontecem através do Zoom. Portanto, não sou capaz de oferecer parte da educação física às clientes, como demonstrar técnicas de contração de quadril e contrapressão e mostrar como elas podem se movimentar durante o trabalho de parto para aliviar a dor”, detalha.

Nikiya Ellis, advogada doula, justiça reprodutiva e alimentação e co-diretora executiva do Birth in Color RVA, também teve que ajustar seus métodos nos últimos meses. “A maioria das minhas clientes já estava grávida antes da pandemia e nos conhecemos pessoalmente. Quando a Covid chegou, tivemos que conversar por telefone. Outra cliente não tive a oportunidade de conhecer até que ela veio ao hospital em trabalho de parto”, comenta.

A maioria dos hospitais limitava os visitantes para reduzir a propagação do vírus, começando nas primeiras semanas da pandemia em março. Doulas, na região de Richmond, foram impedidas de visitar algumas de suas clientes. “Pareceu um tapa na cara, especialmente com os anos de trabalho e advogando que estamos fazendo para que os hospitais nos vejam como parte da equipe de atendimento às grávidas”, afirma Nikiya.

Atendimento

Embora não sejam medicamente treinadas, as doulas fornecem orientação e apoio a gestantes e famílias, e estudos têm mostrado que esse atendimento aumenta os resultados em partos saudáveis para mães e bebês.

Além disso, Nikiya argumenta que as doulas podem ajudar a garantir que as mulheres negras – cuja taxa de mortalidade ao dar à luz é equivalente a três vezes a taxa de mulheres brancas na Virgínia – recebam atendimento de qualidade e equitativo. “Houve pequenas microagressões contra mulheres negras, e acho que é porque as doulas e as trabalhadoras de parto não estavam na sala para defendê-las”, aponta.

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No início de abril, Emily Bruno, doula e co-fundadora do MyBirth em Richmond, liderou um esforço para levar as doulas de volta às salas de parto. Ela, em colaboração com Mellisa Wirt, da empresa de enfermagem Latched Mama, redigiu uma carta aberta aos hospitais da região pedindo acesso e a enviou com o apoio de dezenas de doulas da área em 20 de abril. Emily relata que as necessidades e preocupações de suas clientes a pressionaram a agir.

“Pessoalmente tive cinco clientes que mudaram para um parto fora do hospital, seja no centro de parto ou em casa. Uma vez que algumas gestantes souberam que políticas restritivas de visitação hospitalar impediriam suas doulas de estar presentes durante o parto, muitas mulheres pensaram: ‘Se esse é o sistema que você está oferecendo, eu não vou dar à luz nesse sistema”, declara.

FaceTime

Segundo um comunicado da Bon Secours, que opera hospitais na área de Richmond, os hospitais permitiram que doulas ficassem no FaceTime com suas clientes em trabalho de parto, e que “várias” de suas enfermeiras são “treinadas por doula”.

De acordo com Emily, os hospitais só abriram para as doulas em 1º de junho. A declaração de Bon Secours termina: “Atualmente, estamos muito satisfeitos por ter as doulas de volta ao hospital e recebemos um feedback muito positivo delas”.

(Com informações de Virginia Mercury)

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