Nos primeiros casos de coronavírus nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump subestimou a força da pandemia que já havia matado milhares de pessoas na China. Com o avanço da doença no país, no entanto, ele mudou o discurso, utilizou leis de guerra no combate à pandemia e cedeu sobre a suspensão de atividades até o final de abril. O governo estima que o número de mortos pode exceder 100 mil pessoas – no momento, mais de 2 mil foram relatadas.

Nesse domingo (29), Trump estendeu diretrizes restritivas de distanciamento social até 30 de abril, curvando-se aos especialistas em saúde pública que lhe apresentaram projeções ainda mais terríveis para a crescente pandemia de coronavírus.

Foi uma mudança radical no tom do presidente, que apenas alguns dias atrás refletiu sobre a reabertura do país em poucas semanas. Do Rose Garden, ele disse que suas esperanças de avivamento na Páscoa eram apenas “aspiracionais”.

Muitos estados e governos locais adotam controles mais rígidos sobre mobilidade e reuniões, a exemplo da área de DMV. O impulso de Trump de reabrir o país conheceu um teste de realidade sóbrio de Anthony Fauci, o principal especialista em doenças infecciosas do governo.

Ele disse que os EUA podem sofrer mais de 100 mil mortes e milhões de infecções pela pandemia. Esse aviso endureceu o reconhecimento em Washington de que a luta contra o coronavírus não será resolvida rapidamente, mesmo quando Trump manifestasse um desejo de normalidade. “Quero nossa vida de volta”, afirmou o presidente a repórteres.

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Trump, que em grande parte evitou falar em taxas de mortes e infecções em potencial, citou modelos de projeção que afirmam que potencialmente 2,2 milhões de pessoas ou mais poderiam ter morrido se medidas de distanciamento social não tivessem sido implementadas. E ele disse que o país estaria indo bem se “pudesse conter” o número de mortes “abaixo de 100 mil”. Segundo ele, o país terá o pico da taxa de mortalidade em cerca de duas semanas.

De acordo com Fauci, sua projeção de potenciais 100 mil a 200 mil mortes é “inteiramente concebível” se não for feito o suficiente para mitigar a crise. Ele contou que ajudou a moldar a extensão das diretrizes, classificadas pelo especialista como “uma decisão sábia e prudente”.

Agora, os americanos estão sendo chamados a se preparar para outros 30 dias de graves perturbações econômicas e sociais, à medida que escolas e empresas são fechadas e a vida pública é revertida. Um em cada três americanos permanece sob ordens do governo estadual ou local de ficar em casa para retardar a propagação do vírus.

(Com informações de Associated Press)

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