O presidente Donald Trump anunciou a suspensão dos repasses financeiros dos Estados Unidos à Organização Mundial de Saúde (OMS) durante a pandemia de coronavírus, acusando a entidade de não fazer o suficiente para impedir que o vírus se espalhasse quando surgiu na China. A intenção do corte já havia sido manifestada na semana passada.

Trump alega que o surto poderia ter sido contido em sua fonte e que vidas poderiam ter sido salvas se a agência de saúde da ONU tivesse feito um trabalho melhor, investigando os primeiros relatórios que saíam da China. “A OMS falhou em seu dever básico e deve ser responsabilizada”, afirmou o presidente nessa terça-feira (14). Ele informou que os EUA revisariam as ações da organização para conter o avanço da pandemia antes de tomar qualquer decisão sobre a retomada da ajuda.

Quando questionada sobre possíveis cortes no financiamento dos EUA durante uma reunião regular da ONU na terça-feira, a porta-voz da OMS, Margaret Harris, respondeu: “Independentemente de qualquer problema, nosso trabalho continuará”.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, respondeu ao anúncio de Trump dizendo que agora não é o momento de encerrar o apoio à Organização Mundial da Saúde, chamando a OMS de “absolutamente necessária” no esforço global de combater o Covid-19.

Na avaliação de Guterres, é possível que diferentes entidades leiam os fatos de maneira diferente, mas que o momento apropriado para uma revisão é “quando finalmente virarmos a página para essa pandemia”.

“Mas agora não é a hora”, afirmou, acrescentando que também não é hora de reduzir recursos para operações na OMS ou em qualquer outro grupo humanitário que esteja trabalhando para combater o vírus.

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Contribuição

Os Estados Unidos contribuíram com quase US$ 900 milhões para a OMS para 2018-19, de acordo com informações no site da agência. Isso representa um quinto do orçamento total da organização, de US$ 4,4 bilhões, para esses anos. Os EUA concederam quase três quartos dos fundos em “contribuições voluntárias especificadas” e o restante em fundos “avaliados” como parte do compromisso de Washington com as instituições da ONU.

Um documento orçamentário da OMS mais detalhado fornecido pela missão dos EUA em Genebra mostrou que, em 2019, o país forneceu US$ 452 milhões, incluindo quase US$ 119 milhões em financiamento avaliado. Em sua proposta de orçamento mais recente de fevereiro, o governo Trump pediu que os EUA avaliassem a contribuição financeira para a OMS para US$ 57,9 milhões.

A American Medical Association imediatamente pediu ao residente que reconsiderasse sua decisão. “Durante a pior crise de saúde pública em um século, interromper o financiamento para a Organização Mundial de Saúde é um passo perigoso na direção errada, que não tornará mais fácil a derrota do Covid-19”, entende a presidente da AMA, Patrice A. Harris.

Ele considera necessária a cooperação internacional para combater o vírus, juntamente com ciência e dados. “Cortar fundos para a OMS, em vez de focar em soluções, é uma jogada perigosa em um momento precário para o mundo”, resume.

(Com informações da Associated Press)

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