Total de votos do colégio eleitoral:

Dos carros Ford Modelo T que saíam da linha de montagem em apenas 90 minutos até o serviço de 60 segundos para hambúrgueres, os Estados Unidos tiveram uma importante contribuição para tornar o mundo um lugar frenético e impaciente, preparado e faminto por gratificação instantânea.

Assim, acordar com a notícia desta quarta-feira (4) de que o vencedor da eleição dos EUA pode demorar horas, dias ou semanas – os especialistas encheram as ondas globais com seus melhores palpites – foi um choque para um planeta desmamado daquele que é o mais americano das exportações: a velocidade.

“Precisamos ter um pouco de paciência, quase certamente muita paciência”, disse o chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, enquanto a disputa pela Casa Branca se concentrava cada vez mais em três estados – Wisconsin, Michigan e Pensilvânia – isso pode ser crucial para determinar se o presidente Donald Trump ou o desafiante Joe Biden vence.

“No sistema americano, o último voto conta e talvez o último voto mude o resultado”, afirmou Borrell à televisão nacional espanhola.

Mas como os líderes mundiais geralmente se abstinham de comentar o resultado até que estivesse claro, a natureza particularmente turbulenta e contestada da votação já estava gerando preocupações no exterior de que as divisões agudas da superpotência e os conflitos internos expostos pela eleição poderiam perdurar muito depois de o vencedor ser declarado.

“A batalha sobre a legitimidade do resultado – seja qual for a aparência – agora começou. Esta é uma situação muito explosiva. É uma situação que os especialistas dizem, com razão, que pode levar a uma crise constitucional nos Estados Unidos. Isso é algo que certamente deve nos preocupar muito”, entende a ministra da defesa alemã, Annegret Kramp-Karrenbauer.

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Mercado financeiro

Nos mercados financeiros, os investidores lutaram para entender tudo isso, fazendo com que alguns índices subissem e outros caíssem.

No geral, a incerteza governou. No vácuo de nenhum vencedor imediato, houve alguns elogios da Rússia, África e outras partes do mundo que têm sido repetidamente alvo de críticas aos EUA, com alegações de que a eleição e a contagem de votos estavam expondo as imperfeições da democracia americana.

Os aliados tradicionais dos EUA se apegaram à crença de que, independentemente de Trump ou Biden emergir como o vencedor, os fundamentos que há muito sustentam alguns dos principais relacionamentos da América sobreviveriam à incerteza e ao processo eleitoral dos EUA.

“Seja qual for o resultado da eleição, eles permanecerão nossos aliados por muitos anos e décadas, isso é certo”, acredita Thierry Breton, o comissário da UE para o mercado interno.

Essa ideia foi repetida pelo primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, que disse em uma sessão parlamentar que “a aliança Japão-EUA é a base da diplomacia japonesa e, com base nessa premissa, desenvolverei um relacionamento sólido com um novo presidente”.

(Com informações da Associated Press)

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