A cidade de Greenbelt deixou sua opinião clara há dois anos, quando disse oficialmente “não” à proposta de um trem de alta velocidade que ligaria Washington a Baltimore em 15 minutos. A ela juntaram-se várias outras pequenas jurisdições no Condado de Prince George, em oposição ao projeto Maglev.

Agora, a cidade de 23 mil habitantes está recrutando consultores jurídicos para interromper a proposta antes que ela avance em 2020, quando o governo federal deve lançar uma revisão definitiva do projeto.

“Estamos dispostos a fazer o que for preciso e gastar o que for necessário para defender o interesse de nossos residentes no que se refere à interrupção dessa violência”, disse o prefeito Colin Byrd. No mês passado, Greenbelt emitiu um pedido de serviços a advogados e escritórios de advocacia dispostos a enfrentar a luta.

Nas cidades dos Condados de Prince George e Anne Arundel, por onde passaria o trem de alta velocidade, moradores, associações cívicas e governos locais estão avaliando as opções para atrapalhar o plano, desde ações legais até organização de protestos e grupos de lobby para bloquear o projeto.

O sistema de levitação magnética supercondutora de alta velocidade, na avaliação de muitos, oferece pouco benefício às comunidades da região de DC, porque só pararia em Washington, Baltimore e no Aeroporto Internacional de Baltimore-Washington (BWI).

Mas a construção teria um impacto direto nos bairros entre essas paradas. Máquinas pesadas já foram colocadas ao longo da rota onde estão sendo realizados testes de solo para verificar as condições de escavação de túneis ou de apoio a viadutos. Saídas de emergência e estações de ventilação iriam em algumas dessas cidades, exigindo perfurações de até 50 metros.

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Impactos

O trem passaria por baixo e nas proximidades de casas, escolas e instalações recreativas. Alguns moradores dizem que ainda não está claro a profundidade do túnel. Conforme a Northeast Maglev, a empresa por trás do projeto, a profundidade dependerá da localização – de 80 pés a mais de 200 pés –, mas diz que o trem, viajando a uma velocidade de 311 milhas por hora, não será sentido na superfície, nem a empresa espera vibração ou danos estruturais.

“Esperamos que, com o tempo, o engajamento e a informação, possamos aliviar todos os medos que as pessoas nas cidades locais têm. Estamos gastando muito tempo garantindo que os impactos sejam mínimos”, assegura Wayne Rogers, executivo-chefe da Northeast Maglev.

Os funcionários do projeto disseram que, durante a construção de túneis profundos, equipamentos de monitoramento serão implantados ao longo da rota para detectar quaisquer “níveis imprevisíveis de vibração”, acrescentando que “a construção de túneis a essa profundidade foi concluída em todo o mundo sem nenhuma interrupção ou vibração da superfície”.

Projeto do trem

Planejada como a primeira etapa de um sistema que moveria pessoas entre Washington e Nova York em uma hora, a linha ferroviária de 64 quilômetros entre o Distrito e Baltimore poderia custar entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões, dos quais a Northeast Maglev afirmou ter garantido US$ 5 bilhões do Japão.

A Administração Federal de Ferrovias está realizando um estudo dos impactos ambientais e um projeto é esperado no início de 2020, com uma recomendação final também neste ano. A revisão, no entanto, foi interrompida para dar tempo à Northeast Maglev para responder a perguntas sobre seu design e engenharia.

 

(Com informações do Washington Post)

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