O presidente Donald Trump aproveitou um café da manhã de orações nesta quinta-feira (6) para desencadear sua fúria contra aqueles que tentaram seu impeachment. O ataque ocorre um dia após sua absolvição pelo Senado, de maioria republicana.

“Como todos sabem, minha família, nosso grande país e seu presidente foram submetidos a uma terrível provação por algumas pessoas muito desonestas e corruptas”, afirmou Trump no Café da Manhã Nacional de Oração anual em Washington. Ele se referiu a um grupo de líderes do Congresso, incluindo a presidente da Câmara Democrática, Nancy Pelosi, que se reuniu e liderou a acusação de impeachment.

“Eles fizeram todo o possível para nos destruir e, com isso, prejudicaram gravemente a nossa nação”, acrescentou Trump, que triunfantemente levantou cópias de dois jornais com grandes manchetes: “Absolvido!”, quando subiu ao palco.

Foi uma mensagem chicoteada em contraste com os palestrantes que vieram antes dele, incluindo o professor de Harvard Arthur Brooks, que descreveu o momento como uma “crise de desprezo e polarização” no país e instou os participantes a “amarem seus inimigos”.

“Não sei se concordo com você. Não gosto de pessoas que usam sua fé como justificativa para fazer o que sabem ser errado”, contrapôs o presidente, em uma aparente referência ao senador de Utah Mitt Romney, um crítico de Trump de longa data e o único republicano a votar a favor do impeachment.

“Também não gosto de pessoas que dizem ‘eu rezo por você’ quando você sabe que não é assim”, emendou, já em referência a Nancy Pelosi.

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Seus comentários, incluindo sua habitual ladainha de vanglória econômica, foram um sinal claro de que o Trump pós-impeachment está encorajado como nunca antes, à medida que avança em sua luta pela reeleição com um Partido Republicano unido a apoiá-lo.

Votação

Os senadores republicanos votaram amplamente para absolver Trump nessa quarta-feira (5), contando com uma infinidade de razões para mantê-lo no cargo: ele é culpado, mas sua conduta não era intransponível; sua conversa por telefone em julho com o presidente da Ucrânia foi uma “ligação perfeita”; há uma eleição em dez meses e cabe aos eleitores determinar seu destino.

Ele era acusado de abuso de poder e obstrução ao Congresso e foi absolvido pelos votos de 52 senadores na primeira acusação (contra 48) e por 53 votos (contra 47) na segunda. Para que fosse condenado, teria que ser considerado culpado por pelo menos dois terços dos senadores (67 dos 100).

Trump evitou falar de impeachment em seu discurso no Estado da União na noite de terça-feira (4). Mas no dia seguinte, ele já estava se movendo para usar o impeachment como um grito de guerra na disputa presidencial de 2020.

(Com informações de Associated Press)

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