Oitenta brasileiros detidos ao tentar entrar de forma irregular nos Estados Unidos desembarcaram na noite da última sexta-feira (14) no Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte. Ao menos 40 crianças estavam no voo. Eles ficaram sob custódia do Departamento de Imigração norte-americano e denunciam que passaram por humilhações e sofreram maus-tratos.

Esse foi o quarto voo com brasileiros que foram deportados do país norte-americano desde o ano passado. Os relatos de quem pisou em solo brasileiro novamente são parecidos: fome, frio e humilhações constantes. Roberto César, que trabalhava como padeiro no Brasil, conta que passou por uma situação que nunca imaginou que poderia passar.

“Fui acusado de estupro. O policial me algemou, machucou meu braço e me levou para uma sala gelada. Eu fiquei lá e minha filha na outra sala, me vendo pelo vidro e chorando”, conta. De acordo com o relato, policiais o agrediram e ele só ficou sabendo mais tarde sobre a acusação.

“Eles falaram que era para separar os pais das crianças, porque um pai teria estuprado a filha no banheiro. Depois viram na câmera que não teve nada disso”, explica. Ele voltou para o Brasil sem os pertences pessoais.

Relatos de humilhação e maus-tratos são comuns entre os 80 brasileiros que desembarcaram na capital mineira. Breno Silva Coelho, de 33 anos, que é de Ipatinga, a 211 quilômetros de Belo Horizonte, está desempregado e tentou a sorte de atravessar a fronteira dos Estados Unidos pelo México. Mas a experiência foi “terrível”.

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“Lá, a gente é humilhado mesmo. As crianças são maltratadas. Eles levam a gente para uma sala gelada, não tem coberta, deixam a gente sentado lá. A gente fica debaixo de uma tenda com vários estrangeiros e não consegue se comunicar com a família. Eu acho uma covardia ainda maior por causa das crianças. Eles não querem nem saber”, aponta.

O eletricista Francisco Lagares Garcia também tinha o sonho de trabalhar durante um período no país e ajudar a família, que ficou no Brasil. Mas não foi isso o que aconteceu. “Nosso país não está bom de emprego. Os coiotes enchem a gente de conversa, mas quando chega lá é como se a gente caísse na boca de um lobo”, compara.

Outros voos

Outros três aviões deixaram o estado do Texas rumo a Belo Horizonte desde o ano passado. O último deles pousou na capital mineira no dia 7 de fevereiro, com 130 pessoas a bordo de vários estados, como Minas Gerais, Roraima e Goiás.

O governo federal tem facilitado a deportação de cidadãos nacionais que entraram de forma irregular nos Estados Unidos. O presidente Jair Bolsonaro já declarou que não iria interferir na maneira como o país norte-americano conduz a questão.

(Com informações de R7 e G1)

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