Alan Taylor pode se lembrar como se fosse ontem do dia em que chorou no trabalho. Era 5 de junho e ele viu um pai esperando na fila com seus dois filhos, de sete e cinco anos, e sua mãe – que puxava um carrinho para levar a comida – desde as 10 horas. As portas da despensa do Centro Comunitário Langston Hughes, no noroeste de Baltimore (Maryland), foram abertas ao meio-dia.

O pai, que tinha mais de 40 anos, disse mais tarde a Taylor que sempre teve um emprego remunerado desde a adolescência. Mas a pandemia de coronavírus o deixou sem trabalho com uma família para alimentar. “Definitivamente havia lágrimas nos olhos”, lembra o morador de Pikesville. “Se eu não estivesse usando uma máscara, ele veria que havia lágrimas nos meus olhos. Não era culpa dele que não pudesse trabalhar”, afirma.

Taylor, que é o diretor de operações da Weekend Backpacks for Homeless Kids, uma organização sem fins lucrativos que atende crianças sem-teto, viu o cenário repetidamente desde que a Covid-19 atingiu o país. Já havia uma necessidade na área de Baltimore de alimentar crianças carentes e suas famílias. Mas o novo vírus, que matou mais de 131 mil americanos e resultou na perda de milhões de empregos, criou uma necessidade ainda maior em todo o país e também em Maryland.

Aumento na demanda

A organização de Taylor, em Pikesville, serve 340 mil refeições em toda a região de Baltimore desde 16 de março, um aumento de 80% em relação às 20,7 mil refeições por semana que distribuía antes da crise. Mais de 300 voluntários embalam e entregam sacos de alimentos não perecíveis para ajudar a sustentar crianças em idade escolar na cidade de Baltimore e suas famílias nos fins de semana. Eles aumentaram as doações para responder a uma maior insegurança alimentar durante a pandemia.

Os destinatários recebem comida suficiente para três refeições por dia para três pessoas. Famílias maiores recebem comida adicional. Os voluntários agora trabalham em turnos mais frequentes – quatro vezes por semana – em grupos de não mais que oito. Antes, os voluntários chegavam para fazer as entregas uma vez por semana.

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Doações

Taylor começou a trabalhar para a organização sem fins lucrativos como motorista voluntário de entregas há dois anos.  Ele se envolveu mais depois de conhecer alunos, suas famílias e professores, que lhe disseram como as doações de alimentos melhoravam a frequência dos alunos e faziam uma diferença real em suas vidas.

Agora, supervisiona mais de 70 voluntários que fornecem comida para 30 escolas – antes do vírus mortal, esse número era de cerca de 16 escolas. “Ele organiza sem esforço a embalagem e entrega semanalmente. Empacotamos mais de 2 mil sacolas por semana e apenas subimos. Ele não para por um segundo, ou recebe o crédito. Ele é nosso herói”, conta a voluntária Amy Nusbaum.

Sandie Nagel, cofundadora da organização, explica que, quando as escolas fecharam devido à Covid-19, sua organização preencheu a lacuna e ajudou as famílias necessitadas. Taylor foi uma parte importante desse esforço. “As linhas de alimentos aumentam a cada semana, à medida que mais pessoas são beneficiadas e seu seguro-desemprego não começa. Isso só leva Alan a mais”, comenta.

(Com informações de Baltimore Sun)

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