O negro cuja morte inspirou um debate mundial sobre a injustiça racial será enterrado em Houston, no Texas, nesta terça-feira (9). George Floyd, que tinha 46 anos quando foi morto, será colocado ao lado de sua mãe. Em 25 de maio, quando um oficial branco de Minneapolis apertou um joelho no pescoço de Floyd, o moribundo gritou por sua mãe.

Seu funeral será particular. Cerca de 6 mil pessoas compareceram ao velório aberto ao público nessa segunda-feira (8) em Houston, cidade onde ele cresceu. Os enlutados vestindo camisetas com a foto de Floyd ou as palavras “Não consigo respirar” – uma das outras coisas que ele gritava repetidamente enquanto era detido pelo policial – aguardaram horas para prestar seus respeitos. O corpo de Floyd, vestido com um terno marrom, jazia em um caixão aberto de cor dourada.

Logo após o término do memorial, o caixão de Floyd foi colocado em um carro funerário e escoltado pela polícia de volta a uma funerária. Quando o carro partiu, Daniel Osarobo, 39 anos, morador de Houston que imigrou da Nigéria, pôde ser ouvido dizendo: “Descanse no poder. Descanse em paz”.

“Fui parado pela polícia. Eu entendo a situação. Só posso imaginar”, disse Osarobo, que trabalha como engenheiro na indústria de petróleo e gás. “E se fosse eu? E se fosse meu irmão? E se fosse minha irmã? E se fosse meu filho?”, questionou.

Essas foram perguntas que muitos americanos negros fizeram não apenas nas últimas semanas, mas por décadas. A morte de Floyd provocou protestos internacionais e chamou nova atenção ao tratamento dos afro-americanos nos EUA pela polícia e pelo sistema de justiça criminal.

Consequências

Nas últimas duas semanas, coisas arrebatadoras e antes impensáveis ​​aconteceram: estátuas confederadas foram derrubadas, departamentos de polícia nos Estados Unidos repensaram a maneira como patrulham bairros minoritários, legislaturas debateram políticas de uso da força e as pessoas tiveram discussões desconfortáveis, às vezes acaloradas, sobre raça em uma nação que deveria garantir a igualdade de oportunidades para todos.

Os pedidos de “responsabilização da polícia” surgiram em muitas comunidades, e pessoas de todo o mundo foram às ruas em solidariedade, dizendo que reformas e diálogo não devem parar com o funeral de Floyd.

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Memoriais anteriores ocorreram em Minneapolis e Raeford, Carolina do Norte, perto de onde Floyd nasceu. Os memoriais atraíram as famílias de vítimas negras em outros assassinatos de alto nível, cujos nomes foram gravados nas conversas sobre raça nos Estados Unidos – entre eles Eric Garner, Michael Brown, Ahmaud Arbery e Trayvon Martin.

“Isso dói”, disse Philonise Floyd, irmão de George Floyd, soluçando fora da igreja The Fountain of Praise. “Nós teremos justiça. Nós vamos conseguir. Não vamos deixar essa porta fechar”, afirmou.

Protestos

Por 14 noites, centenas de milhares de pessoas foram às ruas em protesto à brutalidade policial e à desigualdade racial. As cidades impuseram toque de recolher, já que algumas das manifestações foram posteriormente prejudicadas por espasmos de incêndios criminosos, assaltos e invasões a empresas. Mais de 10 mil pessoas foram presas em todo o país. Mas os protestos nos últimos dias têm sido esmagadoramente pacíficos.

Quatro policiais de Minneapolis foram acusados ​​em conexão com a morte de Floyd. A abordagem foi capturada em vídeo por espectadores, que pediam repetidamente à polícia que parasse de machucá-lo. Na segunda-feira, um juiz de Minnesota manteve a fiança em US$ 1,25 milhão por Derek Chauvin, o policial acusado de assassinato em segundo grau na morte de Floyd. Os ex-colegas de trabalho de Chauvin, J Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou Thao, são acusados ​​de cúmplices.

Campanha

A família criou uma campanha de arrecadação de recursos para cobrir despesas com funeral, aconselhamento mental e de luto, hospedagem e viagens para todos os processos judiciais e para o benefício e o cuidado de seus filhos e do fundo educacional. A meta era arrecadar US$ 1,5 milhão, mas até a manhã desta terça-feira (9) já haviam sido doados mais de US$ 13,8 milhões.

(Com informações da Associated Press)

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