Como os residentes da área de DMV continuam em grande parte em casa, algumas famílias estão tentando ser criativas sobre a maneira como veem seus entes queridos, respeitando as diretrizes de distanciamento social destinadas a controlar a propagação do coronavírus.

Grafton “Grady” Will completou um ano no final de março, logo após o governador de Maryland, Larry Hogan, começar a anunciar o fechamento de espaços públicos e empresas e proibir reuniões de dez ou mais pessoas.

Seus pais, Meg e Andy Will, haviam planejado uma festa de aniversário em sua casa em Catonsville para comemorar. Em vez disso, convidaram familiares e amigos para assistir Grady comer seu bolo a uma distância segura, pelo aplicativo de videoconferência Zoom.

“E foi tudo o que fizemos”, conta Andy Will. “Ele está começando a andar, está dizendo suas primeiras palavras; as famílias estão perdendo isso”, lamenta.

Como outras famílias, os Wills estão se adaptando à vida no meio de uma pandemia global. Com a creche de Grady fechada, Meg faz malabarismos com o trabalho de cuidar dele durante todo o dia de trabalho. Andy trabalha em um laboratório em Columbia três dias por semana e segue a mesma rotina quando chega em casa.

“Você precisa lavar as mãos, limpar tudo o que tocar, tomar um banho”, descreve Andy. “Tem sido um ajuste. Às vezes, parece uma maratona interminável”.

Incapaz de ver com segurança o neto, a mãe de Meg, Dawn Godwin, passava e deixava presentes e roupas para Grady e bugigangas para os pais na varanda. “É tão difícil”, Dawn comenta entre lágrimas. “Estou disposta a me embrulhar em celofane para poder ter um abraço”, acrescenta a avó.

Os Wills então planejaram uma solução simples: duas cadeiras de gramado para os avós de Grady – desinfetadas com um pano Clorox – colocadas ao longo da calçada em frente ao jardim da frente, onde Meg e Andy sentam-se com Grady em uma manta de piquenique.

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Visitas

Meg e Andy trocam visitas semanais com os pais, dando a eles a chance de ver Grady pessoalmente e testemunhar marcos que de outra forma teriam perdido. Os bisavós, Grafton e Janice Squires, de Pasadena, também participam.

“Essa primeira visita foi de cortar o coração”, relata Dawn Godwin, que não via o único neto há um mês antes das visitas. “Apenas para vê-lo e não poder tocá-lo. Eu tinha um vínculo com ele e tenho medo de perder isso e que ele não se lembre de quem eu sou”, revela.

“Faz semanas que isso acontece”, disse o pai de Andy, Paul Will, sentado a mais de um metro e oitenta de onde estava o neto. Nas cinco semanas em que os avós perderam a interação cara a cara com Grady, “de repente ele está tendo dentes, conversando e andando. Estávamos perdendo”, pontua.

“Queremos respeitar as medidas de distanciamento social; entendemos que são importantes”, reconhece Meg. “Nós as respeitamos e queremos fazer nossa parte. Estamos apenas tentando ser criativos com isso. É essencialmente o equivalente se eles estivessem em seus carros com a janela aberta”, pondera.

Distanciamento

Especialistas em saúde dizem que o distanciamento social é um dos métodos mais efetivos atualmente disponíveis para conter a disseminação da doença e é especialmente importante para pessoas imunocomprometidas, pessoas com 65 anos ou mais e crianças pequenas – as mais vulneráveis ​​a complicações da Covid-19, a doença causada pelo vírus.

Ainda assim, a falta de contato humano pode afetar a saúde mental e o bem-estar emocional, segundo os profissionais de saúde mental. “O distanciamento social pode aumentar o estresse econômico, o isolamento social e a solidão de algumas pessoas”, detalhou Mark Reger, chefe de serviços de psicologia de um centro de saúde em Seattle, em um artigo publicado on-line em 10 de abril na revista JAMA Psychiatry.

(Com informações de Baltimore Sun)

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