Os americanos relembram os atentados de 11 de setembro de 2001 nesta sexta-feira (11), em meio a uma nova crise nacional – a pandemia do coronavírus – que reconfigurou e dividiu as cerimônias de aniversário, e uma campanha presidencial em curso, tendo como personagens principais Donald Trump e Joe Biden.

Em Nova York, os parentes das vítimas se reuniram pela manhã para lembranças em tela dividida, uma na praça do memorial no World Trade Center e outra em uma esquina próxima, criada por uma organização relacionada ao 11 de setembro.

A Stephen Siller Tunnel to Towers Foundation se opôs à decisão do memorial de renunciar a uma longa tradição de ter parentes lendo os nomes dos mortos, muitas vezes acrescentando tributos pungentes. Os líderes do memorial disseram que a mudança para o 19º aniversário dos ataques foi uma precaução de segurança contra a Covid-19.

Kathy Swift chegou mais cedo à cerimônia alternativa, vestindo uma camiseta em homenagem a seu irmão morto, Thomas Swift, que trabalhava com finanças. “Ainda precisamos nos lembrar. Todo o país está em declínio. É uma coisa atrás da outra, e agora com a Covid, estou feliz que eles ainda estejam tendo isso”, declarou.

Política

O presidente Donald Trump e o desafiante democrata Joe Biden planejavam ir – em momentos diferentes – ao Memorial Nacional do Voo 93, perto de Shanksville, Pensilvânia. Embora os candidatos se concentrem nas comemorações, o significado político de seu foco em Shanksville é difícil de ignorar: a Pensilvânia é um estado disputado por ambos. Trump ganhou por menos de um ponto percentual lá em 2016.

Trump participou da cerimônia matinal e Biden pretende prestar homenagens lá à tarde, depois de participar da cerimônia no memorial do 11 de setembro em Nova York, onde ele e o vice-presidente Mike Pence se cumprimentaram no marco zero, antes da cerimônia começar com o habitual toque de um sino. Mais tarde, Pence estaria na cerimônia da Fundação, onde ele e sua esposa, Karen, leriam passagens da Bíblia.

Lembrança

Em suma, o aniversário de 11 de setembro é uma ocasião complicada em um ano de turbilhão, quando os EUA lutam contra uma crise de saúde, procuram sua alma sobre a injustiça racial e se preparam para escolher um líder para traçar um caminho a seguir.

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Ainda assim, as famílias do 11 de setembro dizem que é importante para a nação fazer uma pausa e lembrar os ataques de aviões sequestrados que mataram quase 3 mil pessoas no centro comercial de Nova York, no Pentágono em Washington e perto de Shanksville há 19 anos, moldando a política americana, percepções de segurança e vida diária em locais como aeroportos e edifícios de escritórios.

Cancelamentos

Em todo o país, algumas comunidades cancelaram as comemorações do 11 de setembro por causa da pandemia, enquanto outras estão indo em frente, às vezes com modificações. A observância do Pentágono será tão restrita que nem mesmo as famílias das vítimas podem comparecer, embora pequenos grupos possam visitar o memorial lá no final do dia.

No memorial de Nova York, milhares de familiares convidados ouviram uma gravação dos nomes dos palestrantes espalhados pela vasta praça, um plano que os organizadores achavam que evitaria o contato próximo em um palco, mas ainda permitiria às famílias lembrarem de seus entes queridos no local onde morreram.

Mas os parentes de algumas vítimas sentiram que a mudança roubou a observância de seu impacto emocional. A Fundação Tunnel to Towers organizou sua própria cerimônia simultânea a alguns quarteirões de distância, dizendo que não havia razão para que as pessoas não pudessem recitar nomes mantendo uma distância segura. Os leitores ficaram sozinhos em pódios que foram higienizados entre cada pessoa.

Com o passar dos anos, o aniversário também se tornou um dia de voluntariado. Por causa da pandemia, a organização Dia Nacional de Serviço e Memória do 11 de setembro está incentivando as pessoas este ano a fazer doações ou realizar outras ações que podem ser realizadas em casa.

(Com informações da Associated Press)

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