Os compradores da área de Baltimore correram às lojas novamente nessa segunda-feira (16), à medida que o número de casos confirmados em Maryland continuava a crescer, o governador emitia novas ordens para fechar bares, restaurantes, academias e cinemas, e o fechamento atual das escolas parecia que poderia se estender bem além de duas semanas.

Mas os varejistas alertam contra a compra de pânico, que sobrecarregou suas cadeias de suprimentos – seus armazéns, frotas de entrega e esforços para reabastecer as prateleiras. E eles procuraram tranquilizar os clientes de que estão preparados para o que, sem dúvida, será uma demanda maior nos próximos meses.

“O que as pessoas estão vendo agora não é um produto de falta de suprimento”, explicou Ira Kress, presidente interino da Giant Food, a maior cadeia de supermercados da região. “Não há falta de comida. Não há escassez de suprimentos. Há um atraso na reposição de todos esses suprimentos”, acrescentou.

A corrida inicial às lojas de alimentos ocorreu rapidamente na quinta-feira (12), depois que o governador Larry Hogan e os oficiais do sistema escolar ordenaram que todas as escolas públicas fechassem por duas semanas a partir de segunda-feira para retardar a propagação da doença do Covid-19 no estado.

Os compradores, alguns dispostos a estocar por um período de duas semanas, formaram longas filas que serpenteavam pelos supermercados. Itens como leite, pão, papel higiênico e outros bens tornaram-se escassos e os vizinhos nos fóruns on-line começaram a oferecer dicas de onde encontrar o quê.

Kress, da Giant Food, comparou os padrões de compras de quinta e sexta-feira (13) ao “Snowmageddon”, a nevasca de fevereiro de 2010. Embora os negócios da Giant Food tenham aumentado de 10% a 30% nas últimas semanas, a demanda dobrou repentinamente na quinta e na sexta-feira em relação aos negócios, como de costume.

O ShopRite da Klein, que administra nove lojas nos condados de Baltimore e Harford e na cidade de Baltimore, teve o maior dia de vendas em sua história de quase um século na quinta-feira e chegou ao topo naquela sexta-feira, segundo Marshall J. Klein, diretor de operações da empresa familiar. “Vimos um aumento sem precedentes no tráfego e no volume de clientes em cada uma de nossas lojas”, comentou Klein.

Movimentação

No fim de semana, as lojas permaneceram mais movimentadas que o normal, mas menos do que na sexta-feira. Na segunda-feira, porém, Hogan ordenou que todos os bares, restaurantes, cinemas e academias fossem fechados às 17 horas, levando os cidadãos ao pânico outra vez.

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“Estamos de volta à loucura. Estamos reagindo à situação o mais rápido possível. O setor de supermercados está reagindo e poderemos acelerar para atender à crescente demanda de nossos clientes”, garantiu Klein

Ele explicou que a maioria dos caminhões de entrega vêm de um centro de distribuição da matriz em Nova Jersey e está com um ou dois dias de atraso. “A capacidade de obter tudo aqui mais rápido está afetando a condição nas lojas. Isso não é local, mas em todo o país. Todos os atacadistas, todos os fornecedores, tudo foi exigido de uma só vez. Leva tempo para o sistema acelerar para atender à demanda”, ponderou.

Adaptação

A Klein’s está trazendo caminhões e funcionários extras, adicionou vários turnos para limpar e higienizar as lojas e organizou rapidamente um evento para quinta, sábado e segunda-feira em seu centro de treinamento em Riverside Parkway, em Belcamp, para contratar trabalhadores sazonais para atender à demanda antecipada relacionada ao coronavírus.

A empresa planeja contratar caixas para todos os turnos e estocadores noturnos. Outros comerciantes da área também indicaram que contratariam mais pessoas.

Mas outros estão diminuindo o ritmo. Na segunda-feira, a Weis Markets, com sede em Sunbury, Pensilvânia, informou que reduziria seu horário para 7 às 21 horas diariamente a partir desta terça-feira (17), para dar aos trabalhadores mais tempo para reabastecer produtos e higienizar as lojas. O Trader Joe’s e Harris Teeter tomaram medidas semelhantes.

Grupos de varejo estão pedindo aos consumidores que comprem “de forma responsável” durante a pandemia. “Os varejistas – principalmente os fornecedores de mantimentos – estão trabalhando com fabricantes, fornecedores e agências governamentais para que certos produtos e serviços essenciais permaneçam prontamente disponíveis para os clientes”, disse uma declaração conjunta da Federação Nacional de Varejo e da Associação de Líderes da Indústria de Varejo.

(Com informações de Baltimore Sun)

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