Depois de planejar a reforma da cozinha da casa geminada em Towson (Maryland), que compraram em junho, Andrew e Shelby McLellan souberam que teriam uma longa espera por novos eletrodomésticos. Uma das lojas que visitaram tinha uma lista de espera de mais de três meses pelo fogão, lava-louças e geladeira escolhidos pelo casal, e nem mesmo aceitou o pedido. Em outro local, eles compraram o fogão e a lava-louças, mas a entrega não está programada até 9 de novembro

Nesse ínterim, a geladeira do casal quebrou. Eles encontraram um refrigerador na Costco, mas a entrega não é esperada até o final do próximo mês. Por enquanto, eles conectaram dois minibares na sala de jantar.

“Estamos apenas nos virando. Nós meio que nos acostumamos com isso. Tudo está demorando mais hoje em dia”, constata Andrew McLellan, um subscritor de empréstimos comerciais que trabalha em casa.

O coronavírus é o culpado, é claro. O fechamento de fábricas relacionado à pandemia em todo o mundo interrompeu as cadeias de suprimentos de tudo, desde peças até eletrodomésticos prontos. As entregas demoram semanas ou meses nos produtos mais procurados. E, à medida que as pessoas se acomodavam em casa, a demanda pelos aparelhos disparava.

Isso significou escassez para varejistas, de cadeias nacionais como Best Buy e Home Depot a vendedores locais, como Cummins Appliance, em Pikesville, e Landers Appliance, em Rosedale.

Howard Cummins vende eletrodomésticos há 40 anos e nunca viu nada parecido. “Tenho pessoas que estão esperando por eletrodomésticos há meses. Estamos tentando fazer as coisas saírem o mais rápido possível, mas os fabricantes simplesmente não conseguiram lidar com o aumento da demanda. Entregas, disponibilidade, preços mais altos. É uma bagunça”, resume o dono da loja em Pikesville.

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Demanda

Cummins estima que a demanda tenha aumentado cerca de 50% desde o final de abril, quando as restrições e as ordens de permanência em casa foram ampliadas. A essa altura, os armazéns já estavam esgotados. “Estamos tentando direcionar os clientes aos produtos que estão disponíveis e dizer-lhes de forma realista o que esperar quando fizerem o pedido”, comenta o lojista.

As entregas de freezers para varejistas aumentaram 40% durante o primeiro semestre do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, e os estoques estão praticamente esgotados desde março. “As pessoas estão preocupadas com uma próxima onda de ficar em casa e não conseguir comida”, explica Cummins.

Problemas

Damon Darlin, de Alexandria, Virgínia, está sem geladeira desde 30 de julho, quando seu modelo Samsung, com menos de dois anos, parou de funcionar, ainda sob garantia da Best Buy.

Ele esperou um mês por uma consulta com um técnico, que encomendou algumas peças que chegaram no final de agosto. Um segundo técnico não conseguiu resolver o problema.

Darlin afirma que a Samsung não respondeu e que a Best Buy disse que tem uma carteira de centenas de reparos relacionados à garantia. Ele teme que, se uma geladeira substituta for necessária, isso possa levar semanas a mais.

(Com informações de Baltimore Sun)

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