As companhias aéreas estão cortando voos, congelando contratações e estacionando aviões para lidar com uma queda impressionante nas reservas e um aumento nos cancelamentos causados ​​pelo medo do surto de coronavírus. A preocupação dos passageiros com o possível contágio faz as empresas acumularem prejuízos.

O CEO da Southwest Airlines, Gary Kelly, diz que o surto pode ser pior para as companhias aéreas do que os ataques terroristas de 2001. Um grupo comercial da indústria acredita que será mais prejudicial.

A Delta Air Lines informou nessa terça-feira (10) que a demanda de viagens caiu tão acentuadamente na semana passada que espera que um terço dos assentos fique vazio este mês em voos dentro dos Estados Unidos, para locais isolados por causa de vírus por algum tempo.

A United Airlines espera perder dinheiro no primeiro trimestre pela primeira vez em seis anos. A empresa revela que as vendas de passagens nos EUA caíram 25% nos últimos dias e isso é ainda pior na Ásia e na Europa.

Os viajantes de negócios deixam de voar na medida em que as reuniões e conferências são canceladas. Quem iria a lazer cancela os planos porque está assustado. Normalmente, as companhias aéreas tentam atrair viajantes relutantes cortando tarifas, mas isso não funciona com o surto de Covid-19.

Redução

A Delta, maior companhia aérea do mundo em receita, relata que as reservas líquidas caíram de 25% a 30% nas últimas duas semanas e podem piorar. Assim, a empresa reduzirá os voos internacionais em 20% a 25% e reduzirá os voos nos EUA em 10% a 15%, correspondendo aproximadamente aos cortes anunciados anteriormente pela United Airlines.

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A Delta está estacionando alguns aviões, cortando gastos, congelando contratações, oferecendo licença voluntária não remunerada, adiando contribuições voluntárias para aposentadorias e suspendendo as recompras de ações.

A American Airlines anunciou que cortará os voos internacionais em 10% neste verão e reduzirá os voos nos EUA em 7,5% em abril. Também adiou o treinamento de novos pilotos e comissários de bordo.

A United conseguiu US$ 2 bilhões em crédito bancário adicional para ganhar espaço para respirar. O pior cenário da empresa é uma queda de 70% na receita em abril e maio, diminuindo para 20% em dezembro.

Receitas perdidas

A Associação Internacional de Transporte Aéreo, um grupo comercial de companhias aéreas, estima que o surto possa reduzir a receita das transportadoras entre US$ 63 bilhões e US$ 113 bilhões, dependendo da profundidade do surto e da propagação.

O mesmo grupo disse que os ataques terroristas em 2001, que devastaram o setor aéreo dos EUA, mas tiveram menos impacto no exterior, cortaram a receita em cerca de US$ 20 bilhões.

(Com informações da Associated Press)

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