O presidente Jair Bolsonaro anunciou, nas redes sociais, nessa segunda-feira (23), a revogação de um dispositivo que permitia a suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses sem salário. A medida provisória, que trata de outras questões relacionadas às relações de trabalho durante a pandemia de coronavírus, havia sido publicada em edição extra do Diário Oficial horas antes.

O governo editou uma nova medida provisória com a alteração e deve anunciar outra nos próximo dias, prevendo uma compensação para trabalhadores que tiverem o contrato suspenso. A informação foi divulgada pelo secretário especial de Trabalho e Previdência do Ministério da Economia, Bruno Bianco, em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, na tarde dessa segunda-feira.

Segundo Bianco, houve uma má interpretação da primeira versão da MP 927, editada no último domingo (22), com uma série de regras para flexibilizar as relações trabalhistas em meio à pandemia do novo coronavírus no país.

“As pessoas estavam entendendo que não teria nenhuma contraprestação do empregador e não era isso que estava no texto. A ideia do texto era muito clara: haveria uma contraprestação, por parte do empregador, um acordo entre empregados e empregadores, para que obviamente o empregador pagasse os custos do empregado, sempre respeitando a Constituição Federal, que garante o salário mínimo para todos”, afirmou.

Segundo o secretário, um novo texto será editado nos próximos dias, prevendo a compensação, por parte do poder público, via recursos orçamentários. “Diante dessa interpretação equivocada, e do descasamento das medidas, que houve por conta de uma medida não ser orçamentária e a outra medida ser orçamentária, o presidente entendeu por bem uma revogação desse dispositivo, e que nós pensássemos, na próxima MP orçamentária, num novo dispositivo, que aí sim já trouxesse as duas coisas em conjunto: a possibilidade de suspensão (do contrato de trabalho) e também a contraprestação por parte do Estado”, justificou.

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Ajuda aos estados e municípios

Durante a tarde, Bolsonaro e ministros realizaram duas videoconferências, uma com governadores do Nordeste e outra com governadores da Região Norte, para apresentar medidas de socorro a estados afetados pela crise provocada pelo novo coronavírus. Entre as principais ações, estão a suspensão do pagamento de parcelas de dívidas e o auxílio financeiro para compensar a queda na arrecadação.

“Sabemos que temos um inimigo em comum: o vírus, bem como também sabemos e temos a consciência que o efeito colateral, que pode ser o desemprego, pode ser combatido. Foram duas reuniões excepcionais”, disse o presidente a jornalistas antes de elencar as ações. Ele não participou da coletiva de imprensa. Para esta terça-feira (24), uma nova rodada de reuniões está prevista com governadores de outras regiões do país.

De acordo com o secretário especial da Fazenda do Ministério da Economia, Valdery Rodrigues Júnior, as medidas que beneficiam estados e municípios somam um total de R$ 88,2 bilhões. Além da suspensão do pagamento de dívidas com a União e aumento nos repasses para os fundos, estados municípios contarão com linhas de crédito especiais.

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Saúde na tarde dessa segunda-feira, o Brasil registra 1.891 casos confirmados do novo coronavírus e já ocorreram 34 mortes em decorrência da doença, 30 no estado de São Paulo e quatro no Rio de Janeiro.

(Com informações da Agência Brasil)

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