Dois tiroteios em massa em lugares públicos lotados no Texas e em Ohio tiraram a vida de pelo menos 29 pessoas em menos de 24 horas além de deixar dezenas de feridos.

Na cidade fronteiriça de El Paso, no Texas, um atirador abriu fogo na manhã de sábado, dia 3, em uma loja do Walmart, em uma área comercial repleta de milhares de pessoas durante a movimentada temporada de volta ás aulas. O ataque matou 20 e feriu mais de duas dúzias, muitas delas criticamente. O suspeito se entregou à polícia.

Horas mais tarde, em Dayton, Ohio, um pisteiro, vestindo armadura e carregando revistas, abriu fogo no centro da cidade, matando nove e ferindo pelo menos 26 pessoas.  O agressor foi morto a tiros pela polícia.

Os ataques vieram menos de uma semana depois que um atirador de 19 anos matou três pessoas e feriu outros 13 no popular Festival de alho de Gilroy, na Califórnia.

Imigrantes estão entre as vítimas

Ainda não foram divulgadas identidades das vítimas em El Paso. Os feridos têm, de acordo com a “ABC News”, entre 2 e 82 anos de idade.

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou que entre os mortos há 3 mexicanos. O ministro de Relações Exteriores do país informou que 6 mexicanos ficaram feridos no ataque.

As autoridades consulares do Brasil nos EUA estão em contato com a polícia texana, mas não há, até o momento, nenhuma informação de brasileiros entre as vítimas em El Paso.

Terrorismo local

Autoridades dos Estados Unidos que investigam o ataque em El Paso, disseram neste domingo, dia 4, que estão tratando-o como terrorismo doméstico. De acordo com o governador do Texas, Greg Abbott, o ato realmente parece ser um crime de ódio. A polícia citou um “manifesto” atribuído ao suspeito, identificado com Patrick Crusius, um homem branco de 21 anos, como evidência de que o derramamento de sangue tinha motivação racial.

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Um promotor estadual disse que buscará a pena de morte para o suspeito. “Vamos fazer o que fazemos aos terroristas neste país, que é garantir uma Justiça rápida e certa”, disse o procurador do distrito ocidental do Texas, John Bash, a repórteres em uma coletiva de imprensa no domingo.

Campanha eleitoral

Após os ataques, alguns políticos pedissem controle de armas mais rigoroso.

O tiroteio em El Paso reverberou na campanha eleitoral para a eleição presidencial do ano que vem, com vários candidatos democratas denunciando o aumento da violência armada e pedindo repetidas vezes por medidas mais rigorosas de controle de armas.

Pelo menos dois candidatos, o prefeito Pete Buttigieg, de South Bend, Indiana, e o ex-congressista nativo de El Paso, Beto O’Rourke, estabeleceram conexões entre o tiroteio e o ressurgimento do nacionalismo branco e da política xenofóbica nos Estados Unidos. “A América está sob ataque do terrorismo nacionalista branco local”, disse Buttigieg em um evento em Las Vegas.

O presidente Donald Trump classificou o tiroteio como “um ato de covardia”, dizendo em um post no Twitter: “Eu sei que estou com todos neste país para condenar o ato odioso. Não há razões ou desculpas que justifiquem a morte de pessoas inocentes”.

Uma característica da presidência de Trump tem sido sua determinação em conter a imigração ilegal. Os críticos dizem que a retórica utilizada em torno da questão, bem como outros comentários sobre as minorias, é divisiva e alimenta o racismo e a xenofobia.

O papa Francisco condenou a onda de ataques contra “pessoas indefesas” nos Estados Unidos, incluindo um ataque violento no domingo passado em que um atirador matou três pessoas e feriu cerca de uma dúzia em uma festa do alho em Gilroy, na Califórnia.

 

(Com informações de Associated Press, G1 e Reuters)

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