Nos Estados Unidos, estima-se que todos os anos, mais de 400 mil bebês nascem de mães que estão deprimidas. A americana Stephanie Hathaway, de Connecticut, faz parte dessa estatística. Ela chegou do hospital com seu primeiro filho nos braços e estava tão empolgada e nervosa quanto a maioria das novas mães. Mas logo, passou a ter crises de choro e pensamentos perturbadores que não conseguia evitar. “Nas duas primeiras semanas, eu estava chorando demais, depois passei a ter pensamentos como ‘sua filha merece uma mãe melhor’ e ‘seu marido merece uma esposa melhor'”, conta. Depois de ser diagnosticada com depressão pós-parto, ela deu inicio a um tratamento com medicamentos antidepressivos tradicionais, que, segundo ela, ajudaram “com o tempo”.

No entanto, após a segunda gravidez, esses mesmos medicamentos não fizeram mais efeito. Foi então, que um amigo contou à ela sobre uma nova droga que estava em fase de testes. Stephanie não teve dúvidas e se escreveu para participar. “Foi uma infusão de 60 horas e nas primeiras 12 a 18 horas senti a maior diferença”, afirma. “Aqueles pensamentos intrusivos foram embora e não voltaram”, conta. Nesse tempo, o único efeito colateral que ele disse ter sentido foi tontura.

“Nas duas primeiras semanas, eu estava chorando demais, depois passei a ter pensamentos como ‘sua filha merece uma mãe melhor’ e ‘seu marido merece uma esposa melhor'”, Stephanie Hathaway, mãe 

Além de Stephanie, o brexanolone – que recebeu o nome comercial de Zulresso – foi testado em outras duzentas mulheres que apresentavam sintomas de depressão pós-parto, as quais foram avaliadas por escalas de pesquisa padronizadas. Todas elas foram acompanhadas por mais de 30 dias.

Publicidade

Nesses estudos, algumas das mulheres receberam infusões 60 horas com doses menores ou maiores de brexanolona, enquanto outras receberam um placebo. Os pesquisadores descobriram que 75% das mulheres que receberam injeções de brexanolona tiveram melhoras de pelo menos 50% nos sintomas. Além disso, 94% não recaíram no decorrer de 30 dias. Os efeitos colaterais mais comuns incluíram cefaleia em 15,7% dos pacientes; tontura em 13,6%; e sonolência ou sonolência excessiva em 10,7%.

Segundo os cientistas, a droga é capaz de regular alguns hormônios que contribuem para o desenvolvimento da depressão pós-parto e interfere positivamente em neurotransmissores associados ao bem-estar. Mas os próprios pesquisadores admitem que os estudos tem algumas limitações, como o fato de as mulheres terem sido observadas pelo período de 30 dias. Portanto, a duração dos efeitos do tratamento além disso não foi incluída nos dados. O uso do medicamento também pode interromper a amamentação. Por isso, as pacientes são orientadas a discutir os riscos e benefícios com o médico.

Publicidade
CCA idiomas