Autoridades de imigração dos Estados Unidos invadiram sete indústrias de processamento de frango do Mississippi nessa quarta-feira (7), prendendo 680 trabalhadores, na maioria latinos, na maior batida em área de trabalho em pelo menos uma década.

Os ataques, planejados meses atrás, aconteceram poucas horas antes do presidente Donald Trump visitar El Paso, Texas, cidade fronteiriça com maioria latina onde um homem ligado a uma “invasão hispânica” foi acusado em um tiroteio que deixou 22 mortos.

“No dia em que buscamos palavras e atos unificadores para curar o coração partido da nação, o presidente Trump permite que muitas famílias e comunidades sejam separadas”, disse Angélica Salas, diretora executiva da Coalizão pelos Direitos Humanos e Imigrantes.

Operação

Cerca de 600 agentes de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) se espalharam pelas fábricas operadas por cinco empresas, cercando os perímetros para impedir que os trabalhadores fugissem.

Em Morton, a cerca de 65 quilômetros a leste da capital Jackson, os trabalhadores lotaram três ônibus – dois para homens e um para mulheres – em uma fábrica da Koch Foods Inc.

Os presos foram levados para um hangar militar para serem processados ​​por violações de imigração. Cerca de 70 familiares, amigos e residentes foram ao local, pedindo a libertação dos indocumentados. Mais tarde, mais dois ônibus chegaram.

Publicidade

Chorando, um garoto de 13 anos, cujos pais são da Guatemala, se despediu de sua mãe, uma trabalhadora da Koch, ao lado de seu pai. Alguns funcionários tentaram fugir a pé, mas foram capturados no estacionamento.

Trabalhadores, incluindo Domingo Candelaria, que puderam mostrar que estavam no país legalmente, foram autorizados a deixar a fábrica depois que agentes vasculharam seus veículos. “Foi uma situação triste por dentro”, disse Candelaria.

Coincidência

Matthew Albence, diretor interino do ICE, disse que os ataques poderiam ser a maior operação de todos os tempos em qualquer estado. Questionado sobre sua coincidência com a visita de Trump a El Paso, Albence respondeu: “Esta é uma operação de longo prazo que está acontecendo”. Segundo ele, as invasões são “racialmente neutras” e baseadas em evidências de residência ilegal.

As empresas envolvidas podem ser acusadas de contratar trabalhadores que estão no condado ilegalmente e serão examinados por fraude fiscal, de documentos e de salário, informou Albence.

Bill Chandler, diretor executivo da Aliança dos Direitos do Imigrante do Mississippi, chamou os ataques “terríveis” de “outro esforço para expulsar os latinos do Mississippi”, e culpou Trump por incentivar o racismo com seus comentários incendiários sobre imigrantes. “É a mesma coisa que Trump está fazendo com a Patrulha da Fronteira”, afirmou, referindo-se à crescente repressão aos imigrantes que entram nos EUA.

 

(Com informações da Associated Press)

Publicidade
Curso de inglês