Dezenas de milhares de médicos estão prestes a deixar os Estados Unidos. Por quê? Eles são da Índia e estão presos em uma batalha de décadas por um green card. E agora, os EUA correm o risco de perder os profissionais que atuam diretamente com as famílias.

Lugares como Cambridge provavelmente seriam os mais afetados. Trata-se de uma pequena cidade na América rural na costa leste de Maryland, onde, em um dia frio, parece que o número de barcos supera o de pessoas.

“É quase 100 milhas de todas as áreas metropolitanas, Washington, Baltimore e Filadélfia. Não é uma área rica particularmente, por isso os médicos não são atraídos para vir a esta área”, disse Ernie Barlow, um residente na cidade. Cambridge é considerada pelo governo federal como sendo uma área mal servida – é remota e empobrecida.

Os moradores dizem que os médicos de qualidade são escassos e, como a brisa, desaparecem assim que chegam. Não é o caso de Jeevan Errabolu, um médico de família que atua na cidade há 15 anos e se tornou parte da família para seus pacientes. Eles o apelidaram de Dr. J. Como muitos médicos indianos imigrantes, os contribuintes pagaram por sua educação e residência nos Estados Unidos. Errabolu fez sua residência em Buffalo, Nova York.

E como muitos médicos indianos, ele tem um visto de trabalho, sob uma categoria chamada EB-2, para imigrantes com graus avançados de estudos. O problema é que a categoria também inclui engenheiros, pessoas de tecnologia e muitos outros. Centenas de milhares de pessoas da Índia, todas disputando o mesmo prêmio – um green card.

Distribuição

Os EUA distribuem a mesma quantidade de green cards por ano, 7%, para todos os países, não importando o tamanho ou quantas pessoas estejam na fila. “Se você faz as contas e olha para a lista de espera, pode levar 40, 70, 100 anos, só Deus sabe”, diz o médico Taran Jolly, que trabalha em Maryland.

“É inacreditável, é difícil de entender, é insano e não faz sentido. Todo o critério é em que país você nasceu, não depende do talento ou de como você está contribuindo, de suas conquistas individuais ou do que você está fazendo para a sua comunidade, é apenas sobre onde você nasceu “, completa o profissional.

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A Índia é o país mais atrasado do mundo em relação ao green card. Dados recentes compartilhados pelos Serviços de Imigração e Cidadania dos EUA, ou USCIS, mostram que até abril de 2018, mais de 600 mil imigrantes indianos estavam esperando por seus vistos permanentes.

Esses médicos se enquadram na categoria EB-2. Isso significa que eles se juntam a 216.684 outros imigrantes indianos em linha. No ano passado, o USCIS aprovou 2.879 green cards. Isso deixa 213.000 imigrantes sem green cards. Os imigrantes que não ganharam a loteria do Green Card este ano ficaram na fila e a fila só vai ficar mais longa no ano que vem.

Espera pode chegar a 150 anos

Os sete anos ou mais que os médicos passaram nos EUA estudando, fazendo residência e bolsas não contam para o green card. O relógio só começa a correr quando o empregador pleiteia ao governo dos EUA em seu nome.

“Isso prevê que eles teriam que esperar pelo menos 150 anos pelo green card. Nós sabemos que eles terão morrido, ou sairão da linha, ou encontrarão outro jeito de conseguir um green card, ao invés de passar por esse processo insano, mas é contra isso que eles estão lutando”, aponta David Bier, analista de políticas de imigração do Instituto CATO em Washington, DC

Bier explica que essas cotas foram estabelecidas em 1990 e que a lei não mudou desde então, apesar da economia dobrar de tamanho. O analista ressalta que o resultado é um sistema de imigração impossivelmente obstruído.

O chefe da Associação Médica Americana enviou uma carta ao USCIS no início deste ano, solicitando que eles limpassem o registro dos médicos e lhes fornecessem green cards. O motivo? A AMA diz que 85 milhões de pessoas vivem em áreas nos EUA onde há escassez de médicos.

 

(Com informações de WUSA)

 

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