A bola que Mario Balotelli chutou zangado no meio da multidão por causa de cantos racistas ainda está viajando. Figurativamente falando, pelo menos. Em uma temporada do Campeonato Italiana marcada por insultos discriminatórios desde o início, a explosão de Balotelli provocou mais debates e mais indignação pelo problema do racismo nos estádios da Itália do que em qualquer outro caso.

“Não estou dizendo que sou diferente dos outros jogadores que recebem o mesmo abuso, os mesmos ruídos de macaco, mas o problema é que sou italiano”, disse o jogador, nascido na Itália de imigrantes ganeses e que representou a Seleção Italiana.

Luca Castellini, líder da seção de torcedores “ultra” do Hellas Verona, que dirigiu os cânticos racistas a Balotelli, e líder do partido de extrema direita Forza Nuova em Verona, vê isso à sua maneira. “Balotelli é italiano porque tem cidadania italiana, mas nunca será totalmente italiano”, afirmou na segunda-feira (4), um dia após o incidente durante a segunda metade do jogo entre Verona e Brescia.

“Pessoas como essa (Castellini) devem ser banidas da sociedade, não apenas do futebol”, escreveu o atleta no Instagram. Vincenzo Spadafora, ministro do governo para políticas esportivas e juvenis, interveio e ordenou que Hellas Verona e o prefeito da cidade – que negaram a existência dos cânticos racistas – condenassem o torcedor.

O clube respondeu proibindo Castellini de entrar em seu estádio até 2030 e a liga italiana ordenou que parte do Estádio Bentegodi fosse fechada para os torcedores no próximo jogo em casa da equipe, observando que os cânticos “eram claramente audíveis”.

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Mais casos

 

As punições contrastam fortemente com o modo como a liga ignorou o barulho de macaco dirigido ao atacante da Inter de Milão, Romelu Lukaku, durante uma partida em Cagliari, em setembro. Também não houve punição por cânticos racistas dirigidos pelos torcedores de Verona ao meio-campo do Milan, Franck Kessie, em setembro.

Cantos depreciativos também foram dirigidos a Dalbert Henrique, Miralem Pjanic, Ronaldo Vieira e Kalidou Koulibaly na Série A nesta temporada. Todos os jogadores visados ​​– exceto Pjanic, que é bósnio – são negros.

“Muitas vezes os clubes de futebol têm menosprezado e defendido, devido à preguiça, conivência ou medo, os extremistas entre seus próprios torcedores”, disse Spadafora. “Nos últimos meses, as coisas começaram a mudar, mas ainda há muitas medidas a serem tomadas”, completou.

“Minha filha viu isso na TV e isso doeu três vezes mais. Eu posso aceitar todos os tipos de insultos, mas os baseados no racismo não são aceitáveis, nunca foram aceitáveis ​​e nunca serão aceitáveis. Quem fez isso, e repito, são apenas alguns, são idiotas completos”, acrescentou Balotelli

 

 (Com informações de Associated Press)

 

 

 

 

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