O Walmart concordou nessa quinta-feira (20) em pagar US$ 282 milhões para acertar alegações federais de corrupção no exterior, incluindo mais de US$ 500 mil para um intermediário no Brasil que era conhecido como “Feiticeiro”, por sua incomum capacidade de fazer problemas desaparecer.

Autoridades dos Estados Unidos foram atrás do Walmart sob a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior, que proíbe empresas americanas que operam em outros países de usar suborno e outros métodos ilegais.

A maior rede de lojas do país resolveu as acusações civis da Securities and Exchange Commission (Comissão de Valores Mobiliários e Câmbio dos Estados Unidos) e um processo criminal construído por promotores federais na Virgínia. Os dois procedimentos fecham investigações federais que remontam a 2012 e custaram coletivamente à empresa mais de US$ 900 milhões.

“Estamos satisfeitos por resolver este assunto”, disse o presidente e CEO do Walmart, Doug McMillon, em um comunicado. “O Walmart está comprometido em fazer negócios da maneira certa, e isso significa agir com ética em todos os lugares em que operamos. Aprimoramos nossas políticas, procedimentos e sistemas e investimos recursos globais em ética e conformidade e agora temos um forte Programa Global de Conformidade Anticorrupção”, completou.

No caso criminal, o Walmart concordou em pagar US$ 138 milhões para evitar processos, enquanto sua subsidiária brasileira se declarou culpada de violar a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior. Quanto ao caso civil, a SEC anunciou um acordo de US$ 144 milhões contra o Walmart por “não operar um programa de conformidade anticorrupção suficiente” no Brasil, China, Índia e México.

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Problemas no Brasil

 

O caso criminal enfocou a corrupção ocorrida no Brasil em 2009 e 2010 e envolveu o que as autoridades disseram ser malfeito pela subsidiária que levou a empresa-mãe a apresentar registros financeiros imprecisos.

O dinheiro que foi para o intermediário foi registrado como pagamentos para uma empresa de construção civil, embora houvesse inúmeras bandeiras vermelhas indicando que o intermediário era na verdade um oficial do governo, segundo as autoridades. O Walmart Brasil foi barrado na época de contratar funcionários públicos.

Documentos judiciais não identificam o intermediário, mas dizem que ele se tornou conhecida dentro do Walmart Brasil como um “feiticeiro” ou “gênio” por sua “capacidade de adquirir permissões rapidamente”, classificando as coisas como se fossem “mágicas”.

A empresa anunciou no ano passado que decidiu vender 80% de sua participação no Walmart Brasil para a Advent International, com prejuízo de US$ 4,5 bilhões. Na época, a subsidiária tinha 438 lojas no Brasil.

 

(Com informações da Associated Press)

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